Francisca Julia - Desejo Inútil





Francisca Julia - Desejo Inútil


Qualquer cousa afinal de belo escolher devo

Para em verso plasmar no esforço da obra prima:

Flor que viceja á sombra, aza que paira em cima,

Aroma de um pomar ou de um campo de trevo.


Aroma, ou asa, ou flor... Tudo o que diga e exprima

Perde, ao moldar-se em verso, o seu próprio relevo,

Porque sinto, mau grado a gloria com que escrevo,

Presa a imaginação no limite da rima.


Não vai pois provocar, e sem que isto te praza,

Minh' alma, e por amor d' arte que se não doma,

A mágoa que te dói e a febre que te abrasa:


O aroma, sente! Est’asa, admira! esta flor, toma!

Mas deixa continuar inexprimidas a asa,

A beleza da flor e a frescura do aroma.


Francisca Júlia da Silva Munster (1871-1920)

foi uma poetisa brasileira.









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